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Meu guarda-roupa corporativo é meu fiel aliado, posso dizer isso 20 anos depois do 1o estágio!!

Qual foi a roupa que usei no minha primeira entrevista de trabalho ou no meu primeiro dia de labuta? Já não me lembro  bem, quase a música do Kid Abelha. Faz tanto tempo…20 anos realmente é  muito tempo,  o suficiente para fazer uma retrospectiva e, a convite da guria , minha amiga chic-chiquérrima , porque não?

Me lembro sim , quando trabalhava como estagiária em um departamento público e chegava com cabelo molhado e gloss,  mais tarde eu soube que aquilo despertou certo frisson e devo ter tido o primeiro insight sobre a importância de pensar na aparência adequada para o ambiente de trabalho. Já como  assistente de compras em uma concessionária turbinada de testosterona eu entrei em uma fase super recatada protegida em um casulo. Uma vez a gerente de marketing comentou que uma tal nova estagiária corria risco de “um homem pular em cima dela “e o complemento do comentário feito não cabe aqui…aquilo me chocou e ao mesmo tempo me fez entender que a sensualidade poderia causar danos à uma carreira. Realmente tenho que admitir que a garota tinha um corpão,  fazia o tipo desinibida  e usava tudo colado no corpo.

Mais tarde em outro emprego vi novamente uma  estagiária linda ser  criticada, dessa vez  injustamente ao meu ver, por usar uma roupa provocante. Notei que  inveja também fazia parte da história. A certa altura, comecei a  fazer faculdade de moda e ia para o escritório careta fotografar os homens com seus ternos saco de batata e aquilo era bem divertido.

Tive minha fase de me sentir feia quando engordei uns quilos e briguei com espelho. Comecei a fazer o caminho de volta quando conheci meu marido em um evento social do trabalho, um churrasco. Eu usava uma calça jeans e uma t-shirt verde da Ralph Lauren e, muito tempo depois, ele me descreveu a roupa que eu usava naquele dia. Sorte que eu não estava tão esculhambada!!

Já beirando os 30 comecei a destoar de advogadas muito arrumadinhas e engenheiras nem tão arrumadas assim, guardando as devidas exceções para as minhas amigas, claro!! De economia e moda enveredei para marketing e curtia misturar blazer daqui com calça de lá e tentando descombinar harmonicamente minha indumentária dentro da sobriedade que os ambientes exigiam.

Em um outro trabalho eu virei consultora de corredor para uma amiga que assumiria uma promoção e entendia que deveria dar um upgrade nos looks do trabalho para compor o novo personagem. Claro que não premeditamos ter uma máscara ou uma carapuça , mas a roupa que você usa simplesmente atesta pelo seu posicionamento no ambiente de trabalho e isso é inegável, doa àqueles que não dão bola ao assunto. Vamos combinar que usar um babuche com meia soquete não passará jamais em pune, ou pleitear uma promoção usando meia branca e sapato social não rola.

orange dress

Minha visão sobre o meu guarda-roupa teve um divisor de águas após a análise cromática que fiz com a Cintia. Outro dia estávamos em um sessão shopper no lançamento da Lutsy (beijo para  Ana Luiza) e a guria  me apontou  um vestido laranja, sóbrio e sofisticado ao mesmo tempo. Jamais teria pensado nesse look para mim, mas quando a ocasião certa chegou eu constatei que a roupa certa tem muuuuito valor. Estreei o look em um coquetel promovido pela  agência onde estou atuando e foi muito legal receber elogios e estar segura na minha própria pele. Até o cliente de uma empresa holandesa sentiu-se “homenagem”, cômico!! Encontrei uma amiga lá usando um tubinho vermelho lindo e nós duas destoávamos dos 50 tons de cinza da mulherada.

Outro dia fui conversar com um senhor cerimonioso em uma reunião importante e pesquei uma camiseta de seda rosinha bebê que achei adequada ao interlocutor.  Elegi a peça principal retrô e o resto veio para dar uma quebrada na sobriedade do look. Enfim, para concluir, dá sim para ter trabalho careta sem se vestir careta, por favor!!!! É só nunca , em tempo algum esquecer o bom senso e jamais ignorar o briefing da ocasião. Roupa sempre será uma ótima ferramenta de trabalho.

_MGL7484-2                                                                       Fernanda Véga, 39 anos, Profissional de Marketing  (foto: Bárbara Lopes)

Me diga com o que você trabalha que eu direi como você deve se vestir

Sim, existe um código de vestimenta para todas ocasiões, por mais absurdo que possa parecer!

Comecei trabalhando muito cedo como modelo, e não precisava escolher o que vestir nas passarelas; os looks vinham montados e esse era um aspecto simples da profissão. Foi no mercado corporativo que precisei aprimorar e aplicar as minhas habilidades perante um armário. Quem nunca experimentou uma mudança de setor, promoção ou troca de empresa? Comigo não foi diferente, depois de alguns anos na área técnica passei a representar uma renomada empresa na área comercial! Em todo lugar importa a imagem que você projeta, mas especialmente na área comercial não se trata apenas se o seu produto é competitivo. O profissional de vendas deve esforçar-se para demonstrar a melhor versão de si!!!

Entendi que eu era a imagem e semelhança da empresa à qual eu representava!

Esta área comercial onde eu atuava exigia uma vestimenta social, deveríamos projetar uma imagem responsável e confiável . Sim, o famigerado terninho fez parte da minha vida durante muito tempo e, como a empresa era muito tradicional, o terninho era utilizado por completo, de preferência preto, já pensou?

Nada contra um terno preto, mas podemos fazer combinações muito mais interessantes desmembrando as peças e adicionando cores, tudo dependerá do ambiente de trabalho…

Depois de pouco tempo na nova função comecei a estabelecer uma relação entre a roupa que eu vestia e a reação dos clientes, não estou falando de terninho da sorte, ou coisas do tipo. Algumas reações eram excelentes, mesmo quando o preço proposto para o negócio era um pouco superior aos demais e algumas vezes, a reação não era tão maravilhosa assim, mesmo com preço competitivo… E sabe o que eu percebi?

Quanto mais semelhante a minha roupa fosse da roupa do cliente, maior as minhas chances de fechar negócio!

Veja a foto abaixo:

AltSão 3 mulheres com estilos de roupas idênticos… No meio temos a editora-chefe da Vogue francesa, Emmanuelle Alt e as outras duas trabalham com ela… A sua assistente Geraldine, de calça branca e a editora de moda  Capucine Safyurtlu.

O ser humano, de maneira geral, é mimético, se aproxima e confia nos iguais. A sua imagem deve gerar confiança não somente em você, mas também no seu interlocutor, ou seja, você deve buscar projetar a mesma imagem que o seu cliente projeta. Depois de entender na prática como essa dinâmica funcionava, passei a me vestir de acordo com o cliente. Faço isso até hoje!

Você pode achar que eu mudo de estilo todos os dias, não é? Na realidade eu não mudo o meu estilo, o que acaba alterando são as composições que faço para os looks que uso – hora mais criativos ou mais românticos, etc – sem perder a minha identidade e o meu jeito.

Isso vale também para a minha consultoria, nela nós iremos construir a melhor imagem em conjunto, alinhando os objetivos, life style e profissão para alcançarmos a melhor versão da cliente. Por isso, me diga com o que trabalha que eu direi como você deve se vestir…

Novidade: Woman at Work

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Desde muito cedo, nós mulheres, desenvolvemos uma relação com o nosso armário. Pode ser amor ou ódio, indiferença… Com o passar do tempo e com a ascensão profissional, essa relação tende a mudar . Passamos a entender a influência das roupas e ter uma preocupação maior em como nos apresentarmos perante os outros. Até quem não quer gastar tempo pensando em looks para trabalhar precisa fazer es-co-lhas e as vezes não é tão trivial assim.

Conversando com uma amiga sobre como as roupas afetaram nossas carreiras no mundo corporativo, surgiu a ideia da coluna Woman at Work!

Será uma coluna feita com  convidadas queridas que contarão um pouco sobre a relação entre trabalho e roupas, em suas diferentes profissões. Gostou? Espia aqui!